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UMA PROFESSORA TENTANDO AJUDAR A EDUCAÇÃO DE NOSSO PAÍS ATRAVÉS DE EXPERIÊNCIAS VIVIDAS EM SALA DE AULA.

domingo, 15 de agosto de 2010

ALUNO E A COLA DE SAPATEIRO....


Na aula de geografia falávamos em países subdesenvolvidos e no comportamento de pessoas que vivem na miséria. Um dos alunos comentou que via muitas crianças na rua pedindo esmolas e que presenciou uma delas cheirando cola de sapateiro. Dizia ele que seus pais não dariam mais esmolas, já que, ao recebe-las, compravam cola para se drogar.
Comentei que o grande problema da nossa sociedade era a má distribuição de renda, e que essas crianças eram vítimas de tudo isso. Falei também que muitas vezes elas cheiravam cola de sapateiro para passar a fome que estavam sentindo e por isso acabavam ficando viciadas.
No outro dia, para o meu espanto, a mãe de um outro aluno que também assistira a aula do dia anterior, procurou a coordenadora de estudos sociais para dizer que seu filho, que era obeso e comia muito, tinha pedido para que ela comprasse cola de sapateiro para ajudar no regime que ele estava tentando fazer e não tinha sucesso, e que a professora de geografia tinha falado nisso em sala de aula.
A mãe, assustada, e com toda razão, queria saber em que contexto eu tinha tocado nesse assunto.
Relatei para a mãe o que tinha acontecido e ela entendeu.
Resolvi então sair um pouco do assunto proposto para aquela sala, para fazer um trabalho sobre as consequências do uso de drogas.
Foi aí que senti a complexidade de trabalhar com adolescentes.....

PAI, POLÍTICO, HONESTO.....


Ao surgir o assunto: política partidária em sala de aula, vários alunos falaram que "todo político era ladrão", e é claro que falei para a turma que não era bem assim, pois em todas as áreas poderia ter pessoas honestas ou não.
No outro dia, o pai de uma das alunas, político, foi falar com o diretor da escola que a professora de geografia tinha afirmado em sala que todo político era ladrão, e que sua filhinha de 12 anos tinha chegado em casa muito magoada com a professora. Falou também que ia pegar um microfone e ia vir para frente do colégio para dizer a todo mundo que todo professor é ladrão.
Acho que esse pai perdeu a oportunidade de dizer para a filha que ela iria ouvir essa afirmação muitas vezes em sala e que não se importasse, pois seu pai não era ladrão.....

PENSE....


Ao fazer um trabalho em equipe, para nota, uma delas estava "colando". A carteira de um dos meninos estava cheia de informações. É claro que, ao descobrir dei zero para todos, pois a equipe toda estava se beneficiando.
No outro dia, estava um dos pais de um dos alunos da equipe questionando o motivo pelo qual seu filho tinha tirado zero, se a "cola" estava na carteira de outro colega..... ele queria que o zero fosse apenas para o aluno que estava na carteira.
Em se tratando de um menino de 13 anos, o pai poderia ter deixado ele aprender por ele mesmo.
Acho que o pai perdeu uma ótima oportunidade de ensinar que, ao trabalhar em equipe, é necessário, ficar de olho na atitude de todos para não se prejudicar.
Pela a arrogância do pai, fico imaginando como esse aluno trilhou seu caminho para a vida adulta...

quarta-feira, 28 de julho de 2010

IMAGINE......


Chegar em sala de aula, no mês de junho, e ver que seu local de trabalho está decorado para as festas juninas com jornal.......bandeirinhas de jornal, balões de jornal.....
Me veio a lembrança um dia, também do mês de junho, que ao passar por um casarão antigo na avenida paulista, reparei que a decoração era semelhante e, por curiosidade, fui ver que evento estava acontecendo..... era nada mais, nada menos que uma quadrilha junina de cachorros, que estavam caracterizados para "dançar quadrilha"..... tudo a ver, pois cães fazem suas necessidades nesse tipo de papel......
MEUS ALUNOS NÃO MERECEM BANDEIRINHAS FEITAS DE JORNAL
COMO É POBRE A NOSSA EDUCAÇÃO PÚBLICA